Do contra. O que fazer? Parte 2

11.7.17




Quando escrevia o título para este post, dei por mim a fazer uma segundo leitura com a parte 'O que fazer?'. Será que alguns de nós viemos aqui para saber como dar a volta aos nossos filhos para eles fazerem aquilo que nós queremos?
Por vezes tenho a impressão que procuramos estratégias não para conseguirmos ganhar a cooperação dos nossos filhos mas antes para os manipularmos. Mas, porque a nossa intenção é sempre a melhor, vamos chamar a isto colaboração e não manipulação porque não nos passaria pela cabeça fazê-lo com os nossos filhos...
Mas, para obtermos a colaboração seja de quem for temos de trabalhar a relação. Mas isso dá trabalho. É um investimento enorme e convida-nos a fazer uma enorme gestão da nossa própria frustração. Porquê? Porque achamos que no dia em que decidimos usar todas estas técnicas, que os nossos filhos vão colaborar de imediato. Muitas vezes - na sua grande maioria - é mesmo isso que acaba por acontecer. Mas depois a criança tem um comportamento menos adequado e nós ficamos tristes, aborrecidos, ofendidos até.

Como é que tu podes fazer uma coisa dessas comigo? Eu que tenho investido tanto na nossa relação? 

E pronto. Atiramos com a parentalidade positiva pela janela e continuamos a usar as técnicas que conhecemos e com as quais estamos à vontade... dizendo, mais à frente que 'nada funciona com o meu filho, havia de o conhecer.'

Esperamos milagres com um investimento de 2 ou 3 dias. Ou mesmo de 15 dias. Que tudo mude. Mas não é assim. É um investimento e isso leva o seu tempo.

Então, quando tens uma criança com um comportamento de oposição - que é sempre do contra - e que te desafia e te diz 'não quero saber!', 'não faço', 'quero lá saber', começa por ti e a ver se não lhe andas a dar demasiadas ordens. Não tens só de começar a tratá-lo como uma pessoa que é. Para que ele coopere contigo, precisa de se sentir envolvido, tido e achado. Precisas de descobrir quem ele é, do que realmente gosta e de que forma podes usar o potencial dele naquilo em que ele já é bom!
Infelizmente, alguns de nós não conhecemos o potencial dos nossos filhos. O que realmente gostam e no que é que são bons ou precisam de melhorar.

Damos demasiadas ordens sem saber por onde 'puxar'.  E o que é que acontece? Acontece o que naturalmente acontece com todos os seres humanos cuja voz não é escutada. Passam a gritar da forma que conseguem para serem ouvidos. Se não me ouves, se não me dás valor e apenas ordens, então eu não quero saber. Não faço o que queres, não quero o que queres porque se não me dás valor, eu passo a rejeitar tudo o que possas querer de mim.

É isto. De forma resumida e clara. E agora? Vais continuar ou vais passar a envolvê-lo?

O que te deves perguntar:
Como posso envolver o meu filho?
Quando é que eu me sinto envolvida? Entusiasmada até?
Será que o meu filho sente de forma igual ou tem outro tipo de registo? Que registo é este?

P.S. Se queres aprender mais sobre este tipo de comportamentos, inscreve-te na nossa Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas.

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